• Home
  • Sobre nós
    • Quem somos
    • Equipa
  • Serviços
    • Intervenção terapêutica online
    • Terapia da Fala / Voz
    • Terapia Ocupacional
    • Integração Sensorial
    • Terapia da Psicomotricidade
    • Psicologia
    • Avaliação Psicológica
    • Psicoterapia Individual / Grupo
    • Psicodrama
    • Orientação Escolar e Profissional
    • Terapia Familiar / Casal
    • Mediação Familiar
    • Consulta Parental
    • Grupos Terapêuticos
    • Intervenção em Meio Aquático
    • Intervenções Assistidas por Animais
  • Formação
  • Notícias
  • Protocolos
  • Contactos
  • Jan
    09
    2017

    Dê tempo ao tempo do seu bebê. Especialista em educação infantil condena a superestimulação e defende a importância de os pais ficarem mais despreocupados para melhorar a qualidade da relação familiar

    Antes mesmo de o bebê nascer, os pais começam a planejar o seu futuro. Nessa ânsia de tentar controlar todos os passos da criança, para que ela se saia bem na vida, existe uma coisa muito importante que pode ficar comprometida: o tempo. Por isso, cada vez mais pessoas estão se comprometendo com a ideia do slow parenting, que teve início nos Estados Unidos e nada mais é do que a desaceleração da rotina dos pais para que deixem seus filhos mais tranquilos para curtir da vida. Com atitudes simples, e uma dose de “despreocupação”, as famílias conseguem melhorar a qualidade de vida.

    O pedagogo Paulo Fochi, coordenador do curso de Educação Infantil da Unisinos, no Rio Grande do Sul, é um dos porta-vozes do movimento aqui no Brasil. Em suas palestras, ele defende que o melhor jeito de praticar o slow parenting é começando cedo, a partir do momento em que o bebê chega ao mundo. CRESCER conversou com ele para entender de que maneira os pais podem melhorar a vida dos filhos. Veja abaixo:

    CRESCER: De que forma estamos acelerando os bebês?
    Paulo Fochi:
    No Brasil, assim como em outros países, as crianças estão saindo da vida privada (família) e indo para a vida pública (escola) cada vez mais cedo, com 4 ou 5 meses de vida. Refletir sobre esses processos de educação compartilhada torna-se fundamental nos dias de hoje. Logo, quando falo e critico a aceleração que adultos e a sociedade estão colocando aos bebês, me refiro também, e especialmente, a esses recém-chegados ao mundo. Mesmo os bebês bem pequenos estão vivendo a partir de uma agenda de tarefas cada vez maior, seja na sua experiência na escola, seja em casa com seus pais. Bom seria se, com a vinda deles, aprendêssemos a estabelecer um “contrato” diferente com o tempo e, em vez de inventarmos atividades para os bebês, criando agendas e tentando descobrir quais são os novos produtos, aulas e afazeres que o mercado criou pra eles, tentássemos organizar e garantir que o tempo de estar juntos pudesse ser maior, mais intenso e mais despreocupado. Não há nenhuma atividade melhor que a incrível possibilidade de estar com o outro e, para tal, não é necessário criar brincadeiras, inventar jogos ou atividades especializadas. Agora é a hora de aventurar-se na tarefa que implica aprender a estar com os outros. E isso requer tempo.

    C.: Em entrevistas anteriores, você se refere a uma superestimulação dos bebês. O que seria isso e quais as consequências para as crianças?
    P.F.:
    Os pais costumam ficar desesperados para acelerar e apressar os pequenos a chegarem antes em algum lugar misterioso. São práticas que privam o bebê de efetivamente participar de um percurso que, a princípio, ele é que deveria estar inteiramente ativo. Na verdade, as premissas de estimulação partem de um pressuposto que entende os bebês como passivos e incapazes de eleger. Eu não concordo com isso e, por essa razão, sou contra qualquer tipo de estimulação externa e que tira a centralidade da criança.

    C.: Você pode dar um exemplo?
    P.F.:
    Colocar os bebês de barriga para baixo para que eles possam caminhar mais cedo é um estímulo inadequado. Fazer isso é como pedir que, em nosso trabalho, fiquemos numa posição corporal totalmente inadequada e desconfortável durante o expediente. Em vez disso, o melhor é que os bebês não fiquem presos em cadeiras de balanço e possam estar no chão, explorando e descobrindo o seu entorno. Essa é a melhor forma de garantir boas oportunidades às crianças. Quero ainda destacar que não só falo da super, da hiper, mas da estimulação externa como um todo. Passou-se a encarar a vida, em especial a ideia de educar uma criança pequena, como um empreendimento do futuro. Por isso, parte-se da ideia de um bebê passivo e em falta e que precisa ser estimulado para ser ativado e preenchido com aquilo que parece ser a garantia da sua felicidade.

    C.: Em que sentido a estimulação pode ser ruim?
    P.F.:
    Ando muitíssimo preocupado com pais e escolas que estão associando agendas lotadas como sinônimo de qualidade de vida dos filhos. Por favor, perguntem a eles: “Vocês estão felizes, crianças?”. Creio que a resposta seja: “Nós estamos cansados”. Colocar as crianças nesse ritmo da produção, do capital, é como aniquilar sonhos, aniquilar a nossa potente capacidade de criar e recriar uma nova visão de mundo. Se não tivermos tempo – e não criarmos o tempo – para experimentar, testar, abandonar e retomar um projeto, seja ele da natureza que for, perderemos esse que é fator primordial da nossa condição humana: o inédito, o novo, a possibilidade de dar novas oportunidades ao mundo.

    C.: Então, o que os bebês devem ter ou receber no berçário?
    P.F.:
    Na escola, inventam-se aulas disso e daquilo e, muitas vezes, cria-se um cenário repleto de estímulos sonoros, visuais e táteis. Só que os bebês não precisam ser ativados, eles já são muito ativos e têm o impulso de conhecer o mundo. Hoje, no Brasil, com as Novas Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil, os educadores estão apostando cada vez mais na educação autônoma e de movimentos livres. Entende-se que um currículo para uma escola que atenda crianças de 0 a 6 anos compreenda as práticas do cotidiano como uma das formas de construir conhecimento. Comer, por exemplo, é uma grande aprendizagem. Como estamos pensando sobre isso em nossas escolas? Não me refiro apenas a uma alimentação saudável, mas também à prática social de estar à mesa com seus pares (os outros bebês), de conseguir operacionalizar o movimento de levar, apoiado por um instrumento (colher), o alimento até a boca ou, ainda, servir-se com os alimentos que deseja. Esses são conteúdos que as escolas de hoje precisam entender como práticas curriculares.

    C.: Precisamos dar um tempo para o bebê ser bebê. Qual é, na prática, o significado dessa frase e por que isso é importante?
    P.F.:
    Esse é um tempo que não tem chance de ser recuperado. Só somos bebês ao chegar ao mundo. Na prática, dar tempo para o bebê ser bebê é eliminar as agendas de atividades, é garantir um espaço adequado para explorar o mundo, é parar com essa ideia de antecipar algo que pode ser descoberto depois, quando tiver muito mais sentido. Estou me referindo a um entorno diferenciado, em que as expectativas demasiadas dos pais em relação aos filhos precisam ser abandonadas. A psicanálise já nos ensinou o quanto perverso e terrível é para os bebês nascerem com uma história já narrada, anunciada e determinada pelos adultos.

    C.: Como os pais podem “pisar no freio”?
    P.F.:
    Minha preocupação tem sido alertar pais e professores que aceleram seus bebês. Entendo que uma coisa possa estar relacionada a outra, mas os bebês ficam sem escolha, não lhes dão oportunidades de eleger o que fazer. Os adultos precisam aprender a escutar aqueles que não são portadores da palavra, portanto, fazer uma escuta muito mais profunda e intensa, que se dá através de um diálogo de olhares, do contato entre os corpos, de sorrisos… Penso que, quando aprendemos a fazer essa escuta, descobrimos a imensa capacidade que as crianças bem pequenas têm de admirar o mundo, de contemplar e entrar em acordo com o tempo, que não é tão horizontal – do antes, agora e depois. Ele é um tempo mais vertical, medido pela intensidade dos acontecimentos. Eu, particularmente, aprendi no convívio com os bebês a pensar sobre o tempo. Descobri que dispensava tempo, e ainda dispenso, com coisas que não valem tanto assim.
     

     

    REVISTACRESCER.GLOBO.COM

    Partilhe este artigo:
    Clifala (2696) (0)
    Categorias:
    • Criança
    • Educação
    • Notícias
    • relação familiar

    Sobre autor

    Clifala
← Brincar é a mais elevada forma de investigação
Ernesto, Jogos para Gaguez. É uma aplicação única, especialmente concebida para crianças e jovens com gaguez →
Clifala
Fundado em 1994, o Clifala é um Centro Terapêutico e Pedagógico cuja atividade está, essencialmente, vocacionada para crianças, jovens e adultos.
  • Rua S. João de Deus, 251 4420-317 Gondomar
  • 224 646 565
  • clifala@clifala.pt
  • http://www.clifala.pt
Categorias
  • acessibilidade
  • Atividades reacreativas
  • autismo
  • capacidades cognitivas
  • comunicado
  • Contactos
  • covid 19
  • Criança
  • Datas comemorativas
  • défice de atenção
  • Demência
  • dislexia
  • Divulgação
  • Educação
  • Equipa
  • exclusão
  • Formação
  • Gondomar
  • hiperatividade
  • Inclusão
  • informação
  • Integração sensorial
  • intervenção à distância
  • Intervenções Assistidas por Animais
  • mãe
  • mobilidade reduzida
  • Notícias
  • orientação escolar
  • orientação profissional
  • pai
  • Parentalidade
  • Páscoa
  • Porto
  • Protocolos
  • Psicanálise
  • Psicologia
  • Psicologia Online
  • Psicoterapia
  • Psicoterapia Online
  • relação familiar
  • Saúde
  • Saúde Mental
  • Sem categoria
  • Sénior
  • Sono
  • terapia à distância
  • Terapia da Fala
  • Terapia da Fala Online
  • Terapia Ocupacional
  • Terapia Ocupacional Online
  • videoconferência
  • Website
Arquivo
  • Abril 2020
  • Março 2020
  • Janeiro 2020
  • Dezembro 2019
  • Setembro 2019
  • Agosto 2019
  • Junho 2019
  • Maio 2019
  • Abril 2019
  • Março 2019
  • Janeiro 2019
  • Dezembro 2018
  • Outubro 2018
  • Setembro 2018
  • Junho 2018
  • Maio 2018
  • Março 2018
  • Fevereiro 2018
  • Janeiro 2018
  • Outubro 2017
  • Setembro 2017
  • Agosto 2017
  • Julho 2017
  • Junho 2017
  • Maio 2017
  • Abril 2017
  • Março 2017
  • Fevereiro 2017
  • Janeiro 2017
  • Dezembro 2016
  • Novembro 2016
  • Outubro 2016
  • Setembro 2016
  • Julho 2016
  • Junho 2016
  • Maio 2016
  • Abril 2016
  • Março 2016
Contactos
  • Rua S. João de Deus, 251 4420-317 Gondomar
  • 224 646 565 / 918 174 218
  • clifala@clifala.pt
  • http://www.clifala.pt
Horário

Seg - Sex: 8:30 - 12:00 e 14:00 - 21:00

Sáb: 8:30 - 14:30

Ver Política de Proteção de Dados Pessoais
ERS - E114375
Siga-nos
Horário

Segunda a Sexta - 08h00 às 18h00
Sábado - 09h00 às 18h00

© 2016 - 2018 Clifala. Desenvolvido por G3Tech - Tecnologias de Informação